TRAIÇÃO OU INTERESSE PESSOAL: Quando vozes antes inflamadas desaparecem no momento certo
Quando o discurso da oposição perde força e o conforto do poder parece mais atraente
Em Poço de José de Moura, o jogo político anda mais ágil que campeonato de vaquejada: basta um aceno do poder para que antigos discursos de resistência virem abraços calorosos e sorrisos para a foto.
Nos últimos dias, duas conhecidas figuras que até pouco tempo batiam no peito como símbolos da oposição descobriram — num lampejo de “maturidade política” — que o melhor caminho agora é estar do lado da gestão.
O povo, sempre atento, observou a cena com aquele olhar de quem já viu esse filme antes. Dizem que foi por “parceria em prol do povo” e por “projetos para o distrito”. Pois é… curiosamente, essas parcerias só florescem depois que se cruza a ponte em direção ao poder.
A política poçomourense parece ter se tornado um grande tabuleiro onde os princípios são peças leves, fáceis de mover. Os discursos inflamados que ecoavam nas praças e redes sociais ficaram no passado — junto com as promessas de firmeza e coerência. Agora, o que vale é o “entendimento”, o “diálogo” e, claro, o “reconhecimento do bom trabalho”.
Convenhamos: é admirável como certas lideranças conseguem descobrir tantas virtudes em uma gestão justamente no momento em que decidem deixar de criticá-la. É quase um milagre político, daqueles que só acontecem perto das próximas eleições.
Enquanto isso, a oposição, já combalida, perde duas vozes e ganha duas entusiastas da prefeita. Fica o vazio do discurso e o gosto amargo da incoerência. O eleitor, que acreditava na firmeza das promessas, agora tenta entender onde foi parar toda aquela indignação que, até ontem, soava tão sincera.
Mas o sertanejo é sábio. Ele sabe ler nas entrelinhas. Entende quando a mudança vem do coração… e quando vem de outro tipo de “motivação”.
No fim das contas, talvez Poço de José de Moura tenha presenciado apenas mais um capítulo da velha política de conveniências. Aquela em que o “bem do povo” é a desculpa perfeita para justificar a virada de lado.E, como sempre, quem paga o ingresso pra assistir a esse espetáculo é o próprio povo.

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